Posted by: João | December 13, 2008

Quase tudo à minha volta me diz que estou errado 3

Na rua, nos restaurantes, na publicidade, nas notícias, na opinião de cada vez menos gurus, em alguns debates que vejo, nos investimentos anunciados localmente, nacionalmente ou internacionalmente. 

Se eu tivesse pouca confiança na minha capacidade de compreender sinais dispersos, limitava-me a ouvir alguns governantes e sobretudo alguns dos grandes “opinian makers” nacionais e estrangeiros que comunicam nos grandes órgãos de comunicação social nacional e mundial. Tenderia a ficar tranquilo com a importância dos seus CVs e reduzia-me à minha insignificância por comparação.

Apesar de muitas coisas à minha volta me dizerem que estou errado, considero francamente a forte possibilidade de muito brevemente iniciarmos uma crise social e económica como nunca assistimos. A importância desta possibilidade, é que, sendo pai de dois filhos, a minha capacidade de gerir tal evento se acontecer, depende de o compreender, de procurar soluções, e de estabelecer parcerias com quem compreenda a dimensão do que pode acontecer num futuro próximo. Esse é outro dos objectivos deste blogue. Ou seja, descobrir pessoas que me ajudem a gerir os riscos e a mudança de curto, médio e longo prazo que se vão colocar às nossas famílias e comunidades.

Não acredito na capacidade dos governos centrais para responder com eficácia a tais mudanças, também porque não querem dar más notícias às pessoas, desculpem, aos eleitores…

É muito interessante verificar como tive que alterar este texto nos últimos 6 meses. A minha visão neste momento é a de que aumentou a probabilidade de Depressão Económica por comparação ao cenário de Recessão.

Consegui durante os últimos 6 meses estabelecer algumas parcerias com pessoas, precisamente para ter a capacidade de responder em vários cenários. Curioso é verificar, que estive e estou a estabelecer relações sobretudo com pessoas que não conhecia, o que não me surpreende.

Presumo que a transformação deste texto na próxima vez, originará o título: “Quase tudo à minha volta me diz que estive e estou certo. Se isso acontecer, e conseguir continuar desenvolver algumas estratégias/relações para os vários cenários, então o blogue conseguirá superar as minhas expectivas. Já valeu a pena até agora.

Obrigado.


Responses

  1. Olá,

    Não julgo que a circunstância diga que esteja enganado porque o que diz é fundamentalmente que existirão grandes mudanças de hábitos decorrentes da situação económica da qual resultarão certamente consequências políticas e não só.

    O que provavelmente se esperava (não sei se assumi em erro) era que fosse uma crise de disponibilidade de energia (nomeadamente petróleo) ou um ambiente em degradação rápida que fossem despoletar a estagnação económica e não o contrário.

    Concordo totalmente consigo quando diz que é necessária uma atitude proactiva e de independência face ao governo ( no sentido de não contar que este resolva seja o que for) de modo a prepararmo-nos a um nivel local para que exista interdependência e coesão social.

    Como diz os sinais estão dispersos e será preciso ter a capacidade de admitir várias evoluções possíveis mas o que acontece agora- e é inquietante- é que há um consenso politicamente e ideologicamente transversal de que a situação está fora de controlo mas estranhamente ninguém oferece medidas convincentes para lidar com esta.

    Acho que o motivo é que esta não vai ser uma era de mudanças a partir de um governo ou movimento político organizado (como as várias ondas de mudança internacionais nos anos 60)mas uma que começa nos hábitos de cada família e de cada indivíduo.

    Provavelmente umas das mudanças mais profundas dos últimos 50 anos…

  2. Olá Nuno,

    Ainda não é totalmente clara para mim a relação, entre a subida sistemática dos preços do petróleo, desde o final dos anos 90 até este Verão, e a maior crise financeira das últimas décadas. Do que investiguei, parece-me evidente que os preços daquela matéria prima foram um dos factores que desencadearam não apenas a crise do subprime, mas a crise do crédito em geral.

    De facto, uma década de subida nos preços da energia destruiu imenso capital nas economias, pelo simples facto de que o aumento da energia, provoca uma diminuição da actividade económica (muito para escrever neste ponto). Já agora, vale a pena dizer que o actual nível de preço do petróleo e as projecções para as próximas semanas, indiciam que a gravidade da crise económica, apenas no início, está a ter um impacto na procura elevadíssimo.

    Entretanto iniciámos um processo de feedback positivo, em que a economia real aprofunda a crise financeira e vice-versa. Curiosamente, o nível de preços dos combustíveis, terão um forte impacto negativo nos investimentos previstos para tentar aumentar a oferta da matéria prima. Por exemplo, as “tar sands” do Canadá só têm retorno com o petróleo a cerca de 80 dólares.

    Há no entanto uma ligação muito mais básica entre os mercado financeiros e a energia. Se os bancos e outras entidades similares começam a ter percepção de que o nosso modelo, assente no crescimento económico, não terá viabilidade a médio e longo prazo, pura e simplesmente, independentemente de outros factores, deixam de emprestar dinheiro, dado que a probabilidade de incumprimento tenderá fortemente a aumentar. E é evidente que com energia mais cara não haverá crescimento económico, tal como tem sido concebido.

    Em relação à resposta política, há uns dias li que, no fundo as nossas democracias são ditadutas das classes médias, onde o sistema operativo do crescimento supera a quota de mercado do Windows. A ser assim de facto, e no caso de as mudanças em curso serem muito rápidas, poucos anos, a conflitualidade social atingirá proporções enormes, e a maioria da população ficará de fora da compreensão do que está a acontecer, e do novo registo mental, que o futuro nos irá solicitar.

    Até breve.

  3. Gostei do modo como remata pondo a tónica numa mudança de mentalidade que é impossível que venha da indústria (porque é aversa á mensagem de redução) ou dos Governos (que são aversos a anúncios de mudança de modos de vida).

    De facto, a velocidade a que se estão a processar as coisas torna difícil que ocorram fenómenos de transição na sua forma ideal: voluntariamente e gradualmente.

    Existem indícios de que se está a ter outras considerações- compra-se menos carros, e onde vivo as hortas urbanas e cursos de culinária e conservação caseira têm lista de espera mas a maioria das pessoas está atenta mas considera que estamos a passar apenas por um “soluço”.


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